segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Backups de highlines soltos - problemas em potencial e considerações

Vamos fazer uma viagem para um highline montado em um belo local. Imagine-se sentado à ancoragem, pronto para caminhar nesta linha magnífica. O que você faz antes de entrar na linha? Verifica as ancoragens, certificando-se que tudo está “BOMBA. Verificar o weblock, certificando-se que a fita está instalada corretamente. Verifique o backup (segurança) vendo se ele também está devidamente ancorado. Verifique os nós nos anéis do leash. Confira em torno da linha para garantir que não haja riscos de abrasão e que a linha esta protegida adequadamente. Dê uma balançada na linha para verificar a tensão. Olhar e ver se o backup está na tensão correta.



Oh, espere, o backup parece apertado! Não há laços (loops) de backup pendurados entre cada fita. Sabemos que ter um backup apertado torna as linhas mais desafiadoras para andar. Parece que o backup poderia estar mais solto. Mas, isto afeta a segurança da linha?

A tendência atual  na montagem dos HighLines é que o equipamento de backup (corda ou fita) apresente laços visíveis entre cada fita, o que é entendido em fazer a linha mais fácil de andar.

Às vezes, esse estilo de montagem pode ser surpreendente e adicionar diversão para uma linha em particular. No entanto, em outros casos, que vamos discutir mais, este estilo de equipamento pode ser muito perigoso. Eu comecei a ver uma tendência de que a linha de backup é mais usado como um auxílio para caminhar ao invés de uma linha de backup real. Quando a prioridade é ter um highline caminhável, às vezes é fácil negligenciar certos riscos de segurança.

Eu estarei discutindo 2 preocupações que eu tenho que se encaixam com este estilo de montagem com o apoio de estudos e investigações da área de Resgate Técnico.
A primeira preocupação que eu gostaria de discutir é abrasão. Abrasão na borda dos HighLines é sempre uma preocupação. No entanto, quando um highline é equipado com um backup solto, esta preocupação é ampliada.

Existem dois tipos de montagens de highline que são especialmente preocupantes para mim: linhas que são instaladas em locais onde a abrasão é uma possibilidade na borda ou perto dela e highlines que são montados de tal modo que a linha passa sobre um borda próxima a ancoragem onde é inicialmente pensado que a abrasão não é um problema. Ambos os tipos de montagens me preocupam com relação ao potencial de abrasão da linha de backup (e fita principal).




Recentemente, eu assisti a uma palestra de J. R. McCullar no Simpósio Internacional de Resgate Técnico comparando um sistema com duas cordas tensionadas com um sistema de linha principal tensionada e linha de backup solta em uma situação de resgate técnico. Eles realizaram uma série de testes onde eles abandonaram uma grande massa nestes dois tipos de sistemas que funcionam sobre uma borda afiada. Eles realizaram este teste com vários tamanhos de corda e várias folgas diferentes na linha principal, no sistema de backup solto. Os resultados deste teste sugerem que, quando uma massa cai sobre a uma corda/fita tensionada com uma corda/fita de backup solta de uma altura e as cordas/fitas entram em contato com um objeto afiando, estas cordas/fitas estão sujeitas a mais falhas do que se essa mesma massa estivesse a cair sobre um conjunto de cordas/fitas tensionadas.

Aqui estão alguns pequenos clipes desta série de testes:


Ver mais informações sobre este teste aqui: http://boxalarmtraining.com/itrs2015/

Os resultados destes testes me fizeram pensar sobre as duas situações de highline que eu mencionei antes. Se e quando um desses tipos de highlines apresentarem uma falha da linha principal e a linha de backup solta bater em uma pedra na queda ou deslizar em uma quina de rocha, ele vai parecer em muito com as cordas nesses testes. Mesmo que a linha de backup esteja bem protegida com muitas voltas de protetores de árvore ou protetores de abrasão comerciais, existe uma enorme possibilidade de experimentar níveis destrutivos de abrasão, como podemos ver claramente a partir dos resultados apresentados nos testes.

Além disso, se você ler estes testes adicionais e olhar para alguns dos resultados que foram encontrados, você pode ver que, durante um evento de falha da linha principal, um backup solto pode causar em uma grande distância de queda. Assim, em caso de termos uma falha da linha principal em uma configuração com um backup solto pairando sobre um potencial ponto de abrasão, torna-se mais provável que a linha de backup realmente atinja esse ponto de abrasão, criando um enorme problema.

Isto leva-me para a minha próxima preocupação: Queda no Solo. Esta é realmente a maior preocupação que tenho para este novo estilo de montagem, especialmente quando a distância das linhas aumenta.

O padrão ouro no atual mundo do highline é usar uma corda estática como sua linha de backup, com loops visíveis entre as fitas, mesmo quando você está em pé no meio da linha: o ponto em que a linha principal é mais longa. Isso muitas vezes significa ter um adicional de vários metros de comprimento na linha de backup, em comparação com a linha principal. Se uma falha de linha principal vier a acontecer, tendo este tipo configuração no backup pode resultar numa queda enorme, especialmente quando se utiliza uma corda estática nylon ou poliéster. Em locais aonde não há muita altura, há um risco muito alto de queda solo, mesmo que não pareça inicialmente.
Mais uma vez, no Simpósio Internacional de Resgate Técnico no ano passado, eu assisti a uma palestra de Larry Walters olhando para a distância de captura de queda quando se utiliza um MPD (tipo de freio automático) em comparação com um Tandem Prusik Belay.

A essência do teste foi que eles tinham uma massa de 275 kg de massa que era pendura em uma corda de 21m de comprimento que subia até uma polia e depois era direcionada para baixo a um MPD ou Tandem Prusiks (mecanismos de freio) preso em uma árvore. Eles variaram a quantidade de folga na corda antes de deixar cair a massa no sistema, medindo quantos metros levou para a massa parar.

Estes resultados não são totalmente relevantes para o nosso campo de interesse ao que eles procuraram primeiramente a derrapagem entre os dois tipos de sistemas de freio, mas os dados indicam que a queda em uma linha de  backup pode ser maior do que esperamos.

Aqui estão alguns dos resultados que eles encontraram:

  • Com 0,6 m de excesso de folga na corda, a massa caiu 1,8 m, 1,9 m e 1,9 m antes de parar.
  • Com 1,2 m de excesso de folga na corda, a massa caiu 3,0 m, 2,5 m, 2,7 m, 2,5 m e 2,2 m antes de parar
  • Com 1,8 m de excesso de folga na corda, a massa caiu 3,0 m e bateu no chão

Você pode ler mais sobre este teste aqui: http://itrsonline.org/the-modern-day-belay/

É bastante claro a partir destes resultados que ter mais folga no sistema de backup pode resultar em uma distância de queda maior do que a esperada.

Para fechar, eu gostaria de perguntar, vale a pena? Nos casos em que um backup solto aumenta o risco de uma linha, vale a pena fazer a linha mais fácil para caminhar em detrimento da sua segurança? Você prefere colocar-se em potencial perigo do que caminhar em um highline mais difícil do que o normal?

Linhas de backup não são destinadas a servir principalmente como um auxílio para caminhar. Se um backup solto pode aumentar o risco de uma linha, talvez vale a pena apertar mais o backup do que você faria normalmente. Uma linha difícil e segura é muito melhor do que uma linha fácil que pode causar grande dano ou mesmo a morte, se algo der errado.

Com um impressionante histórico de segurança, a segurança é primordial na montagem do slackline. Vamos mantê-lo assim e pensar sobre os riscos envolvidos com certas decisões durante a montagem. Às vezes vale a pena ter uma linha mais desafiadora para andar se isso significar que você estará mais seguro, mesmo em um evento de falha da linha principal.

Para mais informações acesse os seguintes links:

Informações em dois sistemas de corda esticada - http://sarrr.weebly.com/two-tensioned-systems.html
Artigos Simpósio Internacional de Resgate Técnico  - http://itrsonline.org/papers/

Texto Original: Jerry Miszewski

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