segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Construindo Ancoragens de Highline

06:48 Posted by Rafazubi No comments
Hoje vamos analisar as ancoragens do Highline e alguns princípios gerais a serem seguidos para a montagem segura do highline, levando em conta vários critérios de falha e os meios de como evitar esses acontecimentos. Este guia tem o objetivo de educar sobre alguns princípios gerais a serem seguidos para a construção de uma ancoragem de highline, na esperança de que ele possa ser usado como uma base de conhecimento para uma série de artigos que estão por vir. Espero conseguir explorar uma infinidade de tipos de ancoragens de highline com pontos positivos, negativos, e sugestões de como melhora-los usando este guia como modelo.

Nota: Este guia não pretende tratar de todo assunto! Existe um enorme número de variáveis quando se trata de construir a ancoragem dos highlines (e na própria montagem do highline em geral) e um movimento errado pode resultar em um acidente fatal! Por favor, procure ajuda profissional ou monte com alguém que tem um bom conhecimento do highline e sua montagem antes de fazê-lo por conta própria!

Tudo bem, ancoragem de highline. Normalmente é a parte mais importante da criação de um highline: encontrar e construir suas fixações. A integridade de todo o seu equipamento depende de sua ancoragem ser a prova de bombas em cada nível individualmente. A fim de construir uma ancoragem de highline adequada, é importante entender os seguintes conceitos que são aplicáveis em toda e qualquer situação:

1.  Força – Ancoragens de highline precisam ser FORTES! Muito mais forte que qualquer outra coisa no seu sistema. Lembre-se que a ancoragem é aonde você confia a integridade de todo o seu highline! Uma boa regra prática é que sua ancoragem do highline deva sempre ter uma força na casa dos 100 kN, ou mais forte que a soma das força dos materiais usados para linha principal e o backup. Tenha isso em mente quando estiver escolhendo os objetos para ancoragem. Não escolha um arbusto com um tronco de 10 cm de diâmetro ou o bloco de pedra que você consegue mover ao empurrar. Uma ancoragem ideal de highline não terá qualquer movimento mesmo no caso de uma queda. Para se conseguir isso, você precisa ter fortes pontos de ancoragem.

2.  Nenhuma Abrasão – Abrasão é a coisa mais perigosa em um highline. Se todas as outras coisas forem consideradas e você esquecer de proteger contra abrasão, sua ancoragem pode falhar. Highline é um esporte extremamente dinâmico, e portanto suas ancoragens provavelmente vão estar se movendo. Em adição ao movimento constante, as ancoragens vão estar sempre sobre tensão. Tensão mais abrasão podem facilmente cortar até os mais resistentes materiais. Então, você deve se proteger contra isto usando acolchoamento ou outros meios. Qualquer lugar em sua ancoragem (ou qualquer parte do highline) com potencial para esfregar em alguma coisa precisa ter algum tipo de proteção à abrasão.

3.  Redundância – A redundância é a palavra na configuração de um highline. Nunca, nunca, NUNCA confie em uma única peça de equipamento para a sua segurança em setup de highline. Cada único componente do equipamento (não só a ancoragem) precisa ter algum tipo de sistema de backup. Ao construir a sua ancoragem do highline, pense  sobre o que aconteceria se cada ponto do sistema fosse falhar. Qual o efeito dessa falha? Será que vai fazer com que toda a sua ancoragem falhe? Há algo no lugar para travar o sistema? Se não, você precisa repensar essa parte da ancoragem.

     Não pense somente no equipamento quando analisando a redundância de sua ancoragem, pensa também no que você esta utilizando para esta ancoragem. Se estiver usando parabolts na pedra, o que irá acontecer se um dos pontos falhar? Se for usado árvores, ela é à prova de bombas? O que acontece se ela não for? Se amarrando bloco de pedras em ancoragens naturais, o que acontece se ele vier a se mover ou uma das partes deslizar? A sua ancoragem vai se mover, ou falhar completamente? Você precisa proteger contra isto! Não são todos os lugares quem contam com 4 parabolts ou árvores enormes próximos à borda, muitas vezes você tem que ser criativo. Isto é, quando é especialmente crítico para verificar se há redundância.

4.  Equalização – Compartilhe a carga com todos os pontos de ancoragem! Ter um único ponto que é carregado mais do que outros pode ser perigoso, especialmente se não é tão forte como alguns dos outros pontos da ancoragem. Leve em consideração qual a força que cada ponto pode aguentar e assim monte sua ancoragem da maneira que os pontos mais fortes recebam o maior percentual da carga. Evite construir ancoragens aonde exista uma grande diferença de força entre os pontos.

5.  Pequenos Ângulos – Quando os ângulos em sua ancoragem de highline começam a se tornar grandes, isto implica em uma força exponencial aplicada em cada ponto. Por exemplo, se você estiver equalizando 2 pontos e existir um ângulo de 150 graus entre estes pontos, você tem aproximadamente 100% da carga em CADA UM DOS PONTOS! Isso significa que cada ponto de ancoragem está recebendo toda a força (ou até mais)! Evite isso como uma praga! Certifique-se de que todos os ângulos em sua ancoragem são pequenos, garantindo que você não tem forças multiplicadoras entre os seus pontos de ancoragem equalizados.

6.  Nenhuma Extensão – Extensão é um grande inimigo! Na maior das vezes ao construir a ancoragem do highline, pontos múltiplos serão usados (conforme a exigência da redundância acima). Se algo acontecer em um dos pontos da ancoragem e um sistema adequado que evite a extensão não for instalado, o master-point pode se estender em direção a outra ancoragem, causando picos de carga nos pontos fixos restantes. Estes picos de carga podem acarretar em falha nos outros pontos colocando você em risco de uma possível falha total em sua ancoragem. Isto é muito ruim!

     Para prevenir este tipo de acontecimento, é preciso instalar um sistema na ancoragem que limite o movimento do master-point em caso de falha de um dos pontos de ancoragem. Existem inúmeras maneiras de se fazer isso, e que serão exploradas a medida que analisamos várias ancoragens de highline.

Quando você coloca todos estes pontos juntos, você forma o seguinte acrônimo:


FNARE – PANE
Força
Nenhuma Abrasão
Redundância
Equalização
Pequenos Ângulos
Nenhuma Extensão

Este é um importante acrônimo a ser lembrado quando você estiver checando a sua ancoragem do highline ou de outra pessoa. Sempre percorra toda a lista, e tenha certeza que a ancoragem alcança todos os critérios antes de você colocar o pé no highline. Lembre-se, cada um desses aspectos são críticos para uma montagem sólida da sua ancoragem de highline.

Texto original por Jerry Miszewski (Versão Inglês : Link)














sábado, 22 de novembro de 2014

Dyneema e montagem do Slackline

Dyneema e Montagem do Slackline


Tem ocorrido muita discussão recentemente a respeito da fibra Dyneema, e seus diversos usos no mundo do slackline. Quando usa-se a fibra para a fita que você anda, ou para fazer “conectores macios” substituindo malhas rápidas, manilhas e mosquetões, pode-se usar também para o backup no highline, ou para fazer ancoragens ajustáveis. Não se encontra muita informação sobre estas aplicações no slackline, foi de onde surgiu a ideia de agrupar estas informações em um bom guia sobre a fibra, como nos diversos usos possíveis.

O que é Dyneema?

Dyneema é o nome comercial usado pela empresa para PAPM (Polietileno de alto peso molecular). É uma fibra incrivelmente forte considerada mais forte que o aço na mesma relação de peso. Dyneema é usada para uma variedade de cordas assim como para fitas. Hoje tem utilização em diversas industrias com diferentes propósitos. O uso comum que para nós praticantes de slackline é familiar são as ancoragens de escalada. Frequentemente a fita usada para escaladas é uma costura misturada entre Nylon (Poliamida) e Dyneema. É muito favorável essa aplicação devido ao baixíssimo peso e a alta taxa de resistência a tração.

Quais são as suas especificações?

A especificação do material são bastante impressionantes. Para dar inicio as diversas características é preciso começar dizendo quais são muitos os tipos de Dyneema encontrados, isto ocorre devido ao constante desenvolvimento feito pela empresa fabricante da fibra DSM. O tipo comumente encontrado de Dyneema na composição de fitas e cordas é Dyneema SK75. Outras variedades existentes SK25, SK60, SK62, SK78, SK90 e SK99. O número SK aumenta há medida que uma nova versão da fibra é desenvolvida. A cada nova geração, as características ficam melhores e melhores.
Algumas das versões mais antigas de Dyneema sofriam com problemas de deformação. Derformação decorrente do processo de plastificação (deformação permanente do material). Isto significa que quando tensionado o material composto de Dyneema continua a perder tensão através de um alongamento com o decorrente do tempo. As novas versões vêm diminuindo significativamente este problema, como exemplo as propriedades apresentadas na versão SK99 são substancialmente melhores que suas antecessoras. Este problema só vem a acontecer com a fibra sendo tensionada perto de sua carga de ruptura ou se deixada sob tensão por um longo período.

Aqui você encontra um arquivo com maiores informações sobre a deformação. (Versão Inglês)

Dyneema é uma fibra impressionante em suas especificações. É a fibra mais forte do mundo por peso (Resistência Específica), quase nenhuma elasticidade, alta resistência química, ótima proteção UV e um ótimo desempenho contra abrasão. Você pode checar uma lista com todas as características neste link (Versão Inglês).

Porque tanta variação nas cordas de Dyneema?

Um dos usos comuns da fibra é para a fabricação de cordas (como a Amsteel Blue – material usado nos highlines do Dean Potter), comumente feitas em uma trança de 12 filamentos o que facilita para emenda de dois cabos. A especificação para cordas de 12 filamentos pode variar milhares de quilos quando comparando tamanhos similares. A razão por trás desta grande diferença é devido a uma nova versão mais forte da Dyneema ou devido ao processo de aquecimento que a corda passa. Dyneema é única, quando exposta a altas temperatures sobre alta tensão apresenta um endurecimento de suas fibras. Esta condição alinha as estrutura química das fibras, causando um aumento de resistência da corda em até 40%! Esteja ciente! De acordo com estudo publicado pela Samson Rope (fabricante da Amsteel Blue), este endurecimento funciona para o aumento de resistência, mas também diminui o ciclo de vida da corda em até os mesmos 40%! Isto significa que a corda que estiver endurecida vai falhar com 40% a menos ciclos de carga (pense que o vento balançando o slackline para cima e para baixo é um ciclo).

Outra constatação do estudo, é que cordas de Dyneema endurecidas são também mais suscetíveis a danos por abrasão. O mesmo demonstra que as cordas endurecidas de Dyneema chegam a falhar com menos da metade dos ciclos de abrasão do que cordas colocadas sobre pouca tensão e calor.

Este estudo também informa que Dyneema, se não endurecida no processo de fabricação ou com trabalho, vai ficando ainda MAIS FORTE com uso contínuo (até um certo número de ciclos). Conceito bastante interessante, especialmente quando consideramos os diversos usos para Dyneema. Se você necessita algo com muita resistência a tensão e baixo peso, talvez seja vantagem utilizar cordas endurecidas de fábrica. Entretanto, o aumento de vida útil combinado com maior resistência a abrasão das cordas sem tratamento térmico é uma característica muito atraente para as diferentes utilizações em nossas aplicações. Se for preciso maior resistência, existe a possibilidade de aumentar o diâmetro da corda sem um acréscimo muito grande de peso.  

Aqui você encontra o artigo completo. (Versão Inglês)

Inspecionando sua corda

A corda de Dyneema é realmente incrível. Uma corda Dyneema SK75 com 6,35mm (1/4 polegada) de diâmetro pesa apenas 22 gramas por metro e alcança uma carda de ruptura de 39kn! Quando pensamos neste tamanho de corda é difícil acreditar nestes números. Também ao tocar este tipo de corda, você percebe o quanto ela é escorregadia. Isso faz você pensar quanta resistência a abrasão esta corda apresenta. O que de fato acontece quando esta corda atrita a pedra sobre uma tensão? Ou como saber se ela apresentar um grave desgaste por abrasão? Como podemos saber se a corda continua suficientemente segura para o uso?

Samson fez um outro estudo testando vários tipos de Amsteel Blue danificados até sua resistência a ruptura (ensaio de tração). Estas amostras variaram de pedaços completamente novos à outros completamente mutiladas. Dos mais de 300 testes realizados, eles foram capazes de elaborar um tipo de escala aonde fosse possível comparar sua corda, e ter uma ideia da atual resistência a tração desta corda danificada. A escala encontra-se abaixo.



Esta é uma ferramenta incrivelmente útil para inspecionar soft schackles ou ancoragens de Dyneema em busca de danos. Seria recomendado de acordo com a tabela parar de usar qualquer corda que passe de 4 na escala acima.

Aqui você encontra um artigo completo sobre os critérios de inspeção para os produtos de Dyneema. (Versão Inglês

As duas maneiras mais comuns que levam uma corda Dyneema a falhar são abrasão e danos UV. Em ambos os modos são fornecidas pistas visuais, demonstrando que o substrato esta sendo afetado negativamente. Faça inspeções constantes em suas cordas e fitas de Dyneema para identificar danos por abrasão ou raios UV. Pare de usar sua corda se for identificado algum risco através desta análise.

Os usos específicos de Dyneema


Quais são as maneiras que podemos utilizar Dyneema na montagem de nossos slacklines? Para começar, soft schakles! Este incrível pedaço de equipamento é uma grande inovação no mundo dos conectores. São extremamente fortes, muito versáteis, e você mesmo pode fazer! Vão ser publicados inúmeros testes sobre soft schakles em seguida. Também vai ser disponibilizado um guia ensinando como fazer o seu próprio. Vão estar disponíveis soft schakles para venda online, assim como o material necessário para a produção do seu próprio equipamento.



Outro bom uso para a Dyneema, são os “Whoopie Slings” termo em inglês que se refere a ancoragens ajustáveis feitas com corda de Dyneema. Eles são usados para o backup dos parabolts em ancoragens de highline fixas. Você pode ver o uso nesta postagem (Versão Inglês). Estes também são facilmente produzidos por você. Eles estarão a venda online de maneira pronta, voltados ao backup das proteções fixas.



Muitas pessoas estão utilizando Dyneema como a fibra principal de fitas de slackline. Isto pode ser algo muito bom devido ao baixo peso da Dyneema aliado a alta resistência a tração. Porém, EXISTEM PROBLEMAS provenientes desta baixa elasticidade da fibra. E por esta razão, fitas fabricadas com Dyneema devem apresentar alta resistência à ruptura, já que as mesmas apresentam um choque de carga muito mais elevado em eventos dinâmicos (bouncin, quedas, vento, etc...). Também é melhor usado em slacklines muito longos. Qualquer coisa menor que 60 metros é um problema em potencial quando em um highline. Seria recomendado um resistência mínima de 40kn para toda e qualquer fita de slakline feita de Dyneema (ou qualquer outra fibra de alta tecnologia produzida para este fim).

Dyneema é uma fibra com ótimas propriedades. O seu uso na montagem dos slackline é bastante novo e por isso precisa de maiores e mais avançados estudos. É muito excitante saber como o uso de Dyneema pode melhorar a montagem de highlines e longlines no futuro. A grande oportunidade de diminuição de peso assim como o potencial aumento da margem de segurança para novos fatores é promissor.

Texto Original escrito pro Jerry Miszewski (Texto Original)
Tradução Rafael Bridi


Aqui ficam mais links para estudos aprofundados sobre Dyneema feitos pela empresa Samson Rope:





segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O diverso mundo do SLACKLINE

08:43 Posted by Rafazubi , , , No comments
Essa primeira postagem é uma parceria com a Federação Suíça e Austríaca de slackline que vem executando um trabalho muito forte de informação e suporte ao esporte. Também conta com o suporte da Adere, Ong que organizou o Fórum Latino Americano de Slackline na cidade de Foz do Iguaçu. Nesse documento destinado aos passantes, temos as informações básicas do slackline respondendo as perguntas mais frequentes direcionadas aos praticantes.


O documento visa um público específico porém contém informações valiosas. O objetivo é atingir um grande número de pessoas alcançando assim o objetivo que é compartilhar a informação de forma substancial. Para tal é necessário que as federações e grupos se apropriem do conteúdo e organizem um mutirão para imprimir o material. Com o material impresso fica fácil repassar estas informações de forma simples e efetiva iniciando um movimento de conscientização e evolução do esporte. O documento conta com a possibilidade de deixar o contato no verso do mesmo através de um carimbo ou escrita.

As imagens a seguir não são o arquivo final para impressão. Você pode entrar em contato na aba destinada a isso no site (www.rafaelbridi.com) que eu encaminho o arquivo de acordo com a necessidade e o tipo de impressão.

Aqui você também acessa ao link no site da federação Suíça que tem o arquivo e outros informativos de suma importância: http://www.swiss-slackline.ch/grundsaetze/language/en.html